domingo, 25 de junho de 2017

Guia curto de São Petersburgo: o que vale a pena ver!

Visitar os palácios é uma ambição de muitos que vem à São Petersburgo, mas que conselho pode dar o autor do blog "Russificando" para quem vem passar poucos dias na cidade?

São Petersburgo é uma cidade extremamente diversificada com um grande número de atrações, desde os modernos estádios da copa como a Arena Zenit, passando pelo parque da Ilha de Santa Cruz, pelos palácios históricos do Centro e de Pushkino e pela grande igreja de madeira que se tornou arquétipo daquela em Kiji, a cidade oferece muita coisa para ver.

Hoje preparei um jantar para um amigo de Fortaleza, combinamos de nos encontrar no metrô quando este voltasse do Palácio de Catarina II, e qual foi o resultado? Após passar 3 horas em uma fila, ele se deu conta de que há um ingresso para passear nos jardins e outro para entrar no palácio em si. Ao visitar o palácio, não teve nenhuma grande surpresa. O que podemos dizer a esse respeito?

É certo que nós "plebeus" normalmente não temos a chance de visitar grandes palácios suntuosos, ao visitar São Petersburgo, uma cidade cheia de palácios suntuosos, nos deparamos com essa possibilidade, porém, ao visitar um certo número de palácios, os palácios acabam ficando cansativos, tanto quanto a repetição neste parágrafo da palavra "palácio". Deste modo, aconselhamos visitar o Hermitage e o Museu Russo, em especial o prédio mais conhecido que é o Castelo da Engenharia (Castelo de São Miguel), antiga sede do governo do tzar. Exceto quando se trata da exposição da obra de algum pintor famoso, por exemplo Ayvazovskiy, geralmente as filas não são tão grandes quanto no Palácio de Catarina em fins de semana ou mesmo em Peterhoff. Podemos até dizer mais, se o seu roteiro inclui apenas ou 4 dias em São Petersburgo (em nossa opinião muito pouco), fazemos uma afirmação radical, não vale a pena visitar tais palácios! Caso se trate de uma viagem de uma semana ou mesmo 5 dias completos, é outra história, mas para uma viagem curta, não. E por quê?

São Petersburgo tem um grande número de atrações únicas no centro e nos subúrbios, algumas inclusive gratuitas. Aqui fazemos uma lista do que vale a pena ver e o que você encontrará nesses locais, nos quais vale a pena gastar horas:

1- Hermitage: Priorizar o Palácio de Inverno (Hermitage) é a melhor coisa que um visitante pode fazer, pois assim ele evita o risco de pegar um dia em reformas. Lembremos que a cada primeira quinta-feira do mês a entrada é de graça!
O Hermitage é composto de vários prédios, todos palácios, entretanto, ao contrário do Palácio de Yekaterina ou Peterhoff, que praticamente se referem exclusivamente aos gostos de tais monarcas, no Hermitage podemos ver o trono de Pedro, o Grande, o trono do último tzar da Rússia Nikolay II, o sarcófago (sem o corpo) do príncipe da Grande Novgorod Alexander Nevsky, em 2008 eleito o maior nome da Rússia numa enquete televisiva, além de achados arqueológicos do século XX a.c., tesouros do Império Bizantino, do Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, Rússia Medieval, Rússia dos Romanov, Rússia Soviética, Rússia contemporânea, África e mesmo obras de arte de grandes pintores capturadas da Alemanha nazista após a vitória comunista durante a IIGM. E tudo isso dentro de um, ou melhor, de vários palácios!
O tempo mínimo recomendado de visita ao Hermitage, contando apenas o prédio principal, é de 3 horas.

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2- Museu Russo (Castelo de São Miguel): O museu russo foi uma criação do tzar Aleksandr III, ele foi uma resposta dos Romanov aos Tretyakov de Moscou, Tretyakov era um crente antigo, membro de uma seita de cismáticos que não aceita as mudanças introduzidas por Pedro, o Grande, na Igreja Ortodoxa Russa. A galeria de Tretyakov, um dos museus mais famosos de Moscou, reunia um grande acervo de pintores russos, enquanto o Hermitage reunia apenas obras de pintores estrangeiros. O tzar Alexander III reagiu criando o "Museu Russo" (em russo, o término é Russkiy Muziey, denotando o caráter referente aos russos étnicos). O museu tem várias filiais e possui dentro de si grandes exposições de arte russa referente a diversos períodos do país. O teto do museu, em especial do Castelo de São Miguel, torna fácil de entender a inspiração para a criação do design das estações de metrô.
Tempo mínimo recomendado: 2 horas



3- Museu Etnográfico Russo: Situado dentro de um palácio e bem no centro da cidade, numa rua paralela com a Avenida Nevsky, o museu etnográfico russo nos permite conhecer as vestes tradicionais de todos os povos da Rússia (mais de 150 nações diferentes), uma excelente representação das tradições milenares dos povos que há anos habitam o mesmo território.
Tempo mínimo recomendado: 2 horas




4- Parque florestal Nevsky/Sítio arquitetônico de Bogoslovka: Situado a 30min de ônibus da estação de metrô Lomonosovskaya, dedicada ao pai da ciência russa, é visitado por um grande número de estrangeiros em fins de semana, por ironia do destino, é desconhecido por um grande número de petersburguenses. A Igreja da Intercessão da Virgem Maria, assim como todo o complexo ao seu redor, é parte de um projeto arquitetônico etnográfico construído inteiramente em madeira. A igreja, a propósito, é toda feita em madeira, como aquela de Kiji, patrimônio da Unesco, na Karélia, mais ao norte. Ela na verdade, foi originalmente construída 7 anos antes da de Kiji, no século XVIII. A má notícia, é que a igreja do local na realidade é uma reconstrução da original, que pegou fogo nos anos 60, reconstruída com a ajuda da tecnologia moderna. A igreja não utiliza um único prego em sua composição. O valor da entrada é gratuito.

A maior vantagem desta igreja é que ela mantém a pintura tradicional ortodoxa russa. Igrejas como a Catedral de Santo Isaque (hoje misto de museu e capela ortodoxa) e a de Nossa Senhora de Kazan trazem ícones pintados do modo ocidental, aliás, a arquitetura das próprias igrejas nenhuma relação tem com a ortodoxia tradicional, sendo uma cópia da Basílica de São Pedro do Vaticano. Os Romanov, obcecados pelo Ocidente, por pouco não adotaram o catolicismo romano, então deram o seu jeito, criando igrejas baseadas em parâmetros ocidentais, tendência essa que seria revertida a partir do reinado do tzar Aleksandr III.

Tempo mínimo recomendado: 1 hora



5- Catedral do Sangue Derramado: essa igreja é bastante jovem em relação a outras de São Petersburgo, inaugurada no século XX, ela é a única catedral ortodoxa que apresenta a pintura dos ícones pelo lado externo da catedral.
A igreja, foi construída num período de rerrussificação da Rússia, os últimos Romanov sabiam que haviam se afastado demasiadamente da população, enfrentavam um grande número de protestos populares, então inauguraram o Museu Russo e construíram catedrais como a do Sangue Derramado, que se baseia na Catedral de São Basílio. Visitar o interior da Igreja é como ler uma Bíblia ilustrada, os seus principais momentos estão ilustrados em fantásticas pinturas. Não é boa ideia visitá-la em final de semana, pois as filas costumam ser imensas. Explorar todos os ângulos da catedral para fazer uma foto pode ser uma boa ideia. Ao lado dela há um mercado de suvenires muito famoso. Também está situada em frente a um dos prédios do Museu Russo.

Tempo mínimo recomendado: 1h30min


terça-feira, 20 de junho de 2017

Minha entrevista para a Rádio Jovem Pan

Nossa entrevista para a Rádio Jovem Pan do Brasil sobre a vida na Rússia, da perspectiva do país do futebol sobre o país da Copa 2018.

https://soundcloud.com/ranieri_andre/especial-russia-parte-i

Palácio de Inverno, um palácio para todos


Você sabia que toda primeira quinta-feira do mês a entrada no maior museu do mundo, o Hermitage é de graça? Esses aí na fila sabem disso muito bem!

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Um domingo chuvoso na Rússia (fotorreportagem)

Por Cristiano Alves
Fotos: Dmitriy Saulin

Neste de domingo me encontrei com meu grande amigo Andrey, no Parque da Vitória, a quem geralmente me refiro pelo sobrenome (conquanto um camarada nosso tem o mesmo nome). Na Rússia não é considerado cortês chamar as pessoas pelo sobrenome, porém eu gosto da prática por conhecer os grandes nomes históricos pelo seu sobrenome. Andrey possui sobrenome cossaco, por ser descendente deles, o que, a propósito, lhe dá o direito de portar espadas com fio em lugares públicos pela legislação vigente russa.

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Conquanto estava um dia chuvoso, isto é, com uma leve garoa, Andrey se admirou por eu não levar guarda-chuvas, respondi que preferia usar capa, pois os ventos petersburguenses mandam todos para a lata do lixo, como vi muitas vezes no bairro Litorâneo em dias chuvosos. Nosso encontro se deu no bairro Moscovita, ao sul de São Petersburgo, meu bairro favorito por causa da arquitetura típica soviética. Nesse bairro me sinto como em Moscou, a antiga capital da União Soviética.
Conversamos um pouco sobre a fé ortodoxa e visitamos uma capela no centro do parque, lá um padre conversava com moradores locais. Ao sairmos da capela, conversávamos sobre o Parque, no qual por muitos anos funcionou um crematório dos mortos de fome durante o Cerco de Leningrado. A grande quantidade de cadáveres pútridos da cidade, mais de 1 milhão de mortos, ameaçava a saúde dos sobreviventes da cidade. O Parque da Vitória foi construído onde funcionava o crematório. Hoje lá há um lago no qual casais e famílias navegam romanticamente em barquinhos, além de monumentos a heróis comunistas como Júkov e Zoya Kosmodemyanskaya, todos lado a lado com a capela da Igreja Ortodoxa Russa.

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Com o dia chuvoso, fomos tomar uma cerveja, apesar do pouco tempo, pois combinei um encontro com uma amiga, não pudemos sair tomando cerveja pelo parque, pois isso pode gerar problemas com a polícia, tomar álcool só é permitido nas dependências do restaurante no parque. A conversa foi bem animada, pois antes da cerveja, havia tomado um pouco de vodka para me soltar numa futura aula de dança. Era hora de lazer, ao contrário das quartas e sextas, dias em que geralmente observo um jejum rigoroso que exclui qualquer tipo de álcool ou carnes.

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Seguimos do metrô Parque da Vitória (Park Pobedy) até o metrô da Praça da Insurreição (Ploschad Vosstaniya), onde encontrei a minha amiga, então nos apressamos para uma aula de forró. Não foi muito fácil encontrarmos a entrada do clube, pois os prédios da Rússia costumam ser muito largos, o que é bonito esteticamente, porém não torna fácil a tarefa de encontrar a entrada certa para um dos mais diversos estabelecimentos que funciona em tal prédio, algo como encontrar uma loja em um grande centro comercial brasileiro.

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Ao encontrar o local, partimos para a aula, convidei Andrey, que não quis dançar, talvez pela falta de mulheres na aula, fenômeno raro em aulas de dança, ainda bem que convidei Lizavyeta, a minha amiga. Na Rússia, em aulas de dança, geralmente as pessoas dançam com todos os presentes. 
O professor, um petersburguense, tinha uma barba típica de mujique russo, falava bem o português, ele, apesar de sério à primeira vista, era muito generoso, atencioso, ao final da aula, pedi para ele dançar com uma de suas alunas o "Pagode russo", então ele explicou para os alunos por que eu pedi essa música, contou a todos que sempre que ia a um concerto de forró no Brasil, alguém fazia questão de pedir ao sanfoneiro que tocasse essa música em homenagem à presença dele.

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

A fotografia de Anastasiya Kireyeva

Para muitas pessoas a Rússia é uma experiência incrível e experiências incríveis merecem ser registradas por muito mais do que "selfies".

Em minhas andanças pela cidade de Rostov sobre o Don, uma das sedes da Copa 2018, no esplendor dos últimos dias do inverno russo conheci Anastasiya Kireyeva, uma fotógrafa bastante simpática e gentil. Ela fotografava os primeiros dias de sol intenso na cidade sulista que em muitos aspectos lembra as cidades do sul do Brasil, ocorre que acabei integrando os trabalhos fotográficos da jovem russa. Se o Brasil for jogar em Rostov sobre o Don, é a melhor pessoa para fazer as suas melhores fotos, pois Anastiya transforma telhados, jardins, coretos e prédios urbanos e campos rurais em lindas paisagens. A fotógrafa russa pode ser contatada pelo telefone +7 900137-6548.
















 

sábado, 3 de junho de 2017

Vantagens de se ter um guia na Rússia

 
Com o guia Vitaliy Lyezov (à extrema direita) e o professor doutor de história Yevgeniy no complexo VDNH

Há pessoas que se dedicam dia e noite para conhecer a história do que parece ser uma simples pedra no meio do caminho ou um prédio, ou mesmo uma árvore, essas pessoas leem bibliotecas inteiras para se informar melhor, eles são os guias turísticos.

Ser guia não é tão simples quanto pode parecer, não se trata de um mero "garoto das bananas", exige conhecimento profundo, preparação e, claro, é fruto de longo investimento em uma universidade (que na Rússia é paga), em livros e por vezes num curso de línguas ou estudo autodidata. Não se trata de meros "achados" com hipóteses da Wikipedia, mas sim de fatos concretos atestados por historiadores, geógrafos, testemunhas oculares ou mesmo histórias ouvidas na infância, que por mais que se tratem de lendas, são parte de uma determinada cultura.

As vantagens de um guia são várias e aqui apresentamos algumas:

1- Facilidade na chegada: Imagine que você acabou de chegar na Rússia, está no aeroporto, cheio de bagagem. Há algumas medidas a serem tomadas, você primeiro, precisa trocar o seu dinheiro. Por mais que você tenha consigo 10 mil reais, eles não valem nada na Rússia, são apenas notas de papel, por isso você precisa trocar o dinheiro. Dependendo do banco onde você troca, você evidentemente terá seu primeiro gasto com a conversão. O gasto poderá ser considerável se você troca num banco que está entre os maiores da Rússia. O guia saberá qual o melhor banco para fazer essa transação.

2- Tomando um táxi: Ao contrário das cidades brasileiras, os aeroportos ficam fora da cidade, o aeroporto de Sheremyetyevo, por exemplo, tem esse nome por que está situado numa antiga vila nos arredores de Moscou que recebe o nome de um famoso comandante militar russo, em geral, locais na Rússia terminados com "yevo" são vilarejos, isto é, nem chegaram ao status de cidade. Com toda essa distância, tomar um táxi pode sair caríssimo se você contrata os serviços não-oficiais, um brasileiro que conheci afirma ter pago 2000 rublos para sair da Estação Central "Moscovita", em São Petersburgo, para um hostel situado a 400 metros. Um brasileiro relatou ter pago 5000 rublos de uma corrida do aeroporto Sheremetyevo de Moscou até uma estação de metrô no norte da cidade. Uma equipe da BAND que ajudei na gravação de um programa teve seríssimos problemas para pedir um táxi, sempre que tentavam pedir, os taxistas ofereciam corridas por 1000 rublos (cerca de R$ 50,00) da Praça da Insurreição até a Praça do Palácio, situados a cerca de 2km um do outro, quando poderiam gastar apenas 35 rublos no metrô (cerca de R$ 1,50). Agora vamos fazer as contas, alguns guias oferecem suas diárias por 4000 rublos em época de alta estação. Em vez de pagar 5000 num táxi é melhor pagar 1000 ou um valor menor e ter uma pessoa que irá te guiar pela cidade.

3- Escolhendo o seu plano telefônico: No século XXI as pessoas se tornam cada vez mais dependentes de tecnologia, e é impossível falar em tecnologia de ponta sem falar em internet, através dela você poderá localizar diversos lugares e estabelecer diversos contatos, inclusive com a família que ficou no Brasil ou Portugal. Um guia poderá esclarecer qual o melhor plano para cada cidade ou como proceder com ele.

4- Familiaridade: Muitos guias têm excelentes conhecimentos de uma língua estrangeira, às vezes, podem receber pagamentos em moeda estrangeira, conquanto tem interesse em ir a um país estrangeiro. Ir a um lugar onde você não conhece ninguém ou conhece poucas pessoas pode ser um grande choque para alguns, o guia conhece as necessidades dos turistas, ele sabe que turista X talvez irá querer visitar Lenin no Mausoléu, que turista Y talvez irá querer ver uma vila viking, que turista N terá interesse em ver um parque botânico ou um determinado tipo de terra ou animal que só existe nesse país, que turista R tem interesse num sítio arqueológico ou numa cerca república do Cáucaso, ou ainda num evento de negócios ou numa culinária específica. O guia irá facilitar a chegada até esses lugares. Saberá talvez o dia em que tais lugares apresentam desconto, ou tem entrada de graça, ou ainda saberão em que dia ou horário a fila para entrar neste lugar vai estar maior ou menor.
Um guia também poderá conhecer profissionais que podem oferecer aquilo que o turista busca, um mercado de pulgas para comprar mais barato do que em lojas do centro ou artesãos e fotógrafos que talvez o turista gostaria de contratar, ou ainda a data de um grande evento que só acontece uma vez por ano ou na semana que passaria despercebido sem tal informação.

5- Independência: Muitos guias na Rússia são independentes, assim, a princípio seu objetivo não é mostrar algo específico que o governo quer mostrar, cada guia é diferente e tem uma visão de mundo diferente. Muitos guias deixam uma excelente impressão, muitos que recorrem aos seus serviços tornam-se assinantes de seus blogs.

Quem procurar?

O blog Russificando "categoricamente recomenda" (usando a expressão de um escritor petersburguense) o "Guia de Moscou" Vitaliy Lyezov. Além de guiar os turistas por Moscou, ele também promove excursões por trechos determinados da Rússia referente a diferentes períodos históricos, seja o de Lenin, Ivan, Horda de Ouro, Segunda Guerra, etc. Sua avaliação é muito alta no Trip Advisor, bem como o seu conhecimento acerca de cada lugar e da história de diversos períodos. Para quem quer muito mais do que ter fotos "legais" no Instagram, é a melhor opção dentre todos com quem já conversei.

Se você precisa de serviços em São Petersburgo, escreva para o nosso blog nos comentários ou através de nosso e-mail de contato. Temos uma grande lista de fotógrafos, maquiadoras, guias, ferreiros, joalheiros, serviços de táxi, hotéis, hosteis, dentre outros.

Nosso e-mail de contato é crtvbr@gmail.com

terça-feira, 30 de maio de 2017

Visita de Yuri Gagarin ao Brasil


O poder da espada variegue

Neste fim de semana, encerrou-se na Rússia o festival "A lenda dos variegues da Noruega". Os variegues não compunham uma "etnia" exatamente, era na realidade um estilo de vida seguido geralmente por tribos da Noruega, do Báltico e das terras eslavas. A Crônica de Nestor, um dos mais importantes documentos históricos da Rússia Antiga, menciona Ryurik, o ruivo, como o primeiro governante de Kiev, escolhido pelos mercadores da cidade, ele próprio um variegue eslavo (e não escandinavo como pensam alguns), o que atestam exames de DNA feitos em achados arqueológicos. Em alguns casos raros, há relatos sobre um viking de pele escura nas sagas nórdicas escritas na Islândia conhecido como Heljarskinn (literalmente, "Pele negra").

Uma das armas brancas mais poderosas já desenvolvidas para a sua época foi a espada variegue, cujo propósito era não apenas cortar, como também partir armaduras e perfurar através delas, o que explica o seu formato e constituição. Ela foi adotada na Rússia Medieval, que em termos militares não era nada original, suas armas eram compradas ou copiadas por ferreiros experientes dos variegues ou dos cazares, que controlavam um grande império judeu, mais tarde os russos passaram a utilizar armas mongólicas. O blog Russificando mostra o poder de uma espada variegue, que nos dias atuais ainda é produzida na Rússia por hábeis ferreiros, como o mestre-artesão tuliense Aleksey Bochkaryov, que o autor do blog teve o privilégio de conhecer!
O vídeo abaixo mostra o poder de corte dessa espada.




sexta-feira, 19 de maio de 2017

Chegada do calor na Rússia.

Agora que o tempo começou a esquentar na Rússia, na segunda metade da primavera, até parece que é outro país. As pessoas não se vestem mais como militares, agora se vestem como no Brasil, alguns ainda resistem usando jaquetas. Os militares já não parecem mais astronautas com seu casaco camuflado estofado de umas 4 camadas, agora usam apenas a gandola, camisa e gorro ou quepe, não mais a ushanka. Você sabe que já não pode mais caminhar ou patinar sobre rios, lagos e no belíssimo Canal do Griboyedov. As folhas já começam a nascer, assim como as flores dos canteiros. Nas ruas começam a aparecer motos e ciclistas. Nas calçadas os patins de rodas ocupam o lugar dos patins de inverno. Os russos já usam os seus brinquedos como patinetes, inclusive eletrônicos.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Bronzear-se na Fortaleza de Pedro e Paulo

Uma das melhores coisas para fazer em São Petersburgo num dia ensolarado sem dúvidas é bronzear-se na Fortaleza de Pedro e Paulo. Quem se bronzeou em Fortaleza, não vai se arrepender de se bronzear "na Fortaleza", há sol o suficiente, e mesmo que a temperatura esteja perto de 10 graus, o simples ato de se encostar na parede de pedra torna tudo melhor, já que a laje irradia o calor do sol e corta o vento vindouro. Certa vez um turista paulista, vestido da cabeça aos pés, admirou-se diante de mim pela coragem dos russos. Uma amiga americana postou em seu Instagram uma foto na qual a mesma turma bronzeava-se em pleno dia com gelo e neve!
Em vez do oceano pode-se ter uma excelente visão que inclui a Catedral do Sangue Derramado, de Santo Isaque, Hermitage, dentre prédios históricos que por si só já são um museu. Mas a melhor parte é a possibilidade de conversar com cidadãos soviéticos. Os jovens de São Petersburgo parecem não gostar de se bronzear, ao menos não em São Petersburgo, meu antigo vizinho fez questão de comparar a tonalidade da pele dele com a minha após passar 2 semanas se bronzeando no mar negro em Krasnodar. 
Ao contrário das praias do Nordeste (do Brasil!), pode-se passar o dia inteiro sob o sol sem se preocupar com queimaduras, afinal, lembremos que estamos no norte do nosso planeta. O melhor de tudo isso é que os cidadãos soviéticos frequentemente tem conversas muito interessantes. Certa vez conheci Volodya, um ancião nascido nos tempos de Stalin, com uma longa barba, como um profeta ou um monge ortodoxo, um ancião bastante sábio, ele me falava da vida na União Soviética e na Rússia de hoje, os prós e os contras de cada. Ele e seu amigo me convidaram para retornar depois para beber kvas caseiro com eles (kvas é uma bebida russa feita a partir do pão, muito gostosa).
Além da visão e da fala, também é contemplado o sentido da audição. A música que os russos, ou melhor dizendo, os soviéticos, ouvem na praia é a melhor possível. Pode-se ouvir grandes clássicos da música francesa e italiana, o meu vizinho até ouvia "Roberta" de Peppino di Capri, minha música favorita da Itália. Claro que somava-se a isso grandes clássicos da música soviética como Georgiy Ots e Mark Bernes, e na trilha sonora ainda entrava a música de Anna Guerman, uma magistral cantora polonesa filha de alemães soviéticos que cantava em russo (Guerman é forma russificada de Hörman), dona de uma voz divina (após a sua morte, os astrônomos soviéticos consagraram o nome de uma estrela com o seu nome). Uma concepção um pouco diferente de praia.
Infelizmente, no Ocidente decadente muitas pessoas estão muitos preocupadas com valores "metrossexuais", e assim estão muito mais preocupados não com o momento em si e a sensação, mas sim em avaliar o estilo de traje de banho que o outro está utilizando ou em reparar em certos detalhes desnecessários, como um rapaz que parecia nunca ter visto uma senhora se bronzear sem a parte de cima ou um jovem que ficou impressionado com uma foto minha em traje de banho com duas garotas vestidas de casaco, foto que tirei para o contraste, mas que despertou fantasias pervertidas na sua mente suja ocidental consumista, o que o mujique russo, a versão russa do caboclo, do "cabra macho" nordestino, chama em sua música popular de "cultura sodomita" (com todo respeito por aqueles que discretamente seguem seu estilo de vida peculiar).



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Um passeio pela Avenida Nevsky



A Avenida Nevsky é consagrada pela literatura universal da Rússia, Gógol dedicou um livro inteiro a ela. Os petersburguenses, orgulhosos por um dia terem sido a capital do país e serem considerados a capital cultural da Rússia, são muito conhecidos no país pela sua vaidade e elegância, por seu estilo peculiar, não raro alvo de anedotas em filmes, uma amiga de Vladivostok garante que os vladivostoquenses são ainda mais estilosos. Num dos 70 dias de sol que São Petersburgo tem durante o ano inteiro fizemos uma pequena caminhada que leva até o Hermitage e outra que vai em direção à Praça da Insurreição (Ploschad Vosstaniya). Confira como é um dia ensolarado na cidade de São Petersburgo no início de maio, uma das cidades da Copa do Mundo de 2018. 

A Rússia é xenófoba? Um ponto final à pergunta mais comum!

Nota: A Rússia comemora festivais culturais de diversos povos não-russos, dentre os quais o Johannus (finlandês), Festival dos Vikings da Noruega (variegue), Festival Gatingo de Cultura Africana, além de poder ser encontrada na Rússia uma variedade de centros de capoeira, danças latino-americanas, língua portuguesa, espanhola, inglesa, alemã, dentre outras. As ruas da Rússia possuem diversos nomes de personalidades não russas, dentre as quais, só em São Petersburgo, as ruas Siqueiros, Santiago de Cuba, Bela Kuhn (Hungria), Ho Chi Min (Vietnã), dentre outras!










terça-feira, 2 de maio de 2017

Assim na Terra como no céu



Bairro petersburguense de Shuvalovo-Ozerki durante o crepúsculo. Mesmo a lama e a sujeira se rendem à beleza do impressionante espetáculo!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Páscoa na Rússia


A Páscoa é a data mais importante para o cristianismo ortodoxo, pois é a data da ressurreição do Deus-homem, a data em que a vida vence a morte. O vídeo apresenta a nossa impressão, num dia em que milhões de cristãos ortodoxos foram comemorar a data.

Sobre a Baleia azul e os grupos da morte

Baleia azul é suicídio! Não deixe seu filho participar! Denuncie os tais curadores à polícia!


Propaganda do suicídio na cultura de massa:


Reencenamento do Exército Vermelho (Em vídeo)


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Rússia para os ruivos?


Antes da minha chegada na Rússia sempre achei que a maioria dos russos eram ruivos. Uma vez eu ouvi dizer que a URSS era o país com a maior quantidade de ruivos. Por volta do ano 2000 uma das russas mais famosas, junto com Anna Kurnikova e Sharapova era a ruiva Yulia Katina, do dueto Tatu. Infelizmente, era o único grupo de "música russa" famoso no Brasil, e digo infelizmente por que a arte delas em nada se diferencia dos "valores ocidentais" de Lady Gaga e Madonna. 

Impressiona o fato de que na Rússia existe o sobrenome "Рыжий" (Ruivo) e Рыжая (Ruiva). Eu tenho uma conhecida com esse sobrenome e é ruiva mesmo! Curiosamente, na Rússia há poucos ruivos, até a minha chegada achei que havia bem mais, o fundador da Rússia Medieval foi Ryurik, o Ruivo, o fundador da URSS foi Lenin, também ruivo, como percebi em seu Mausoléu. Mas quando a minha amiga de Ulyanovsk veio ao centro de comércio Rio, em Moscou, eu lembro como ela era a única ruiva, me parece, que a maioria deles está na Sibéria. Isso, a propósito, não acontece apenas na Rússia, quando fui à Finlândia não vi ruivos. De fato, há bem mais russos na Rússia do que no Brasil, numa escola pequena aqui perto de casa já vi pelo menos 5 diferentes ruivas, na minha escola no Brasil, de quase 1000 alunos só conheci 1 ruiva, na universidade nenhum só. Os russos na verdade são muito diversificados, há russos asiáticos e até negros. Quando o escritor Maxim Gorky esteve no Cáucaso próximo de uma povoação de "negros da Abecásia", ele perguntou e vocês quem são, negros, e eles responderam que eram russos. Quase todas as escolas de São Petersburgo tem ao menos um pequeno grupo de russos de cor negra. A maioria dos russos é loiro ou de cabelos castanhos (na Rússia loiro é alguém com cabelos quase brancos). A Constituição da Federação Russa dá a todos os direito de escolher sua própria nacionalidade e atualmente há um projeto de lei para considerar como "russkie" a todos da Rússia, com uma linha no passaporte para que o indivíduo identifique a própria nacionalidade.

Na Espanha existe o sobrenome Rubio (Loiro), mas na Espanha há poucos deles, geralmente os espanhóis tem cabelos morenos ou castanhos. No Brasil existe o sobrenome Moreno, e quase todos os brasileiros são morenos. O sobrenome "Ruivo" ou "Loiro" não existe no Brasil. Em português existe a palavra "russo" e "russo" (às vezes se escreve ruço), e assim são chamadas pessoas ruivas ou muito brancas, que se tornam avermelhadas por causa do sol, devido  pessoas assim fundaram uma cidade chamada Russas, no interior do Ceará, estado no qual nasceu o autor deste blog. Houve um caso em que eu estava com russos e lá, na praia, por acaso nos encontramos com rapazes de Russas, eles nos pediram para cantar o hino da Rússia, e conquanto meus amigos russos não lembraram, passei a cantar.

Vídeo: Como nós cantamos o hino da Rússia com rapazes da cidade de Russas, numa praia perto de Fortaleza, quase como num texto do meu manual de língua russa das Edições Militares.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A farsa dos "campos de concentração para homossexuais" na Rússia

Muito recentemente, ainda no mês de abril, surgiu um novo meme do jornalismo ocidental, os "campos de concentração para homossexuais na Chechênia". Mas há alguma verdade nisso?

Quando criei este blog não o criei por motivo de "exibicionismo", como talvez pensem alguns, "olha só, eu estou na Rússia!". Não! Criei este blog por que jamais poderei dormir sossegado enquanto houver injustiça no mundo. Um escritor russo muito famoso, Lev Tolstoy, certa vez disse que "russo não é alguém com uma determinada cor da pele ou dos olhos... mas sim aquele que não pode dormir sossegado enquanto souber que há injustiça no mundo". Em minha vida presenciei diversas mentiras e outras manifestações de injustiça, quando eu era pequeno me diziam que "no Exército os recrutas são torturados", entrei no Exército Brasileiro e não vi nenhuma "tortura" contra recrutas. De fato vi tratamentos disciplinares rigorosos, mas nada de tortura! Desde a infância me disseram que "as jogadoras de vôlei jogam bem por que se não jogarem tem os dedos arrancados na Rússia", que os russos eram "perversos por natureza", quando conheci um russo pela primeira vez ele era uma pessoa muito agradável, conversava com ele como se estivesse conversando com um velho irmão que não via há anos. Quando vim à Rússia pela primeira vez, diferente do aeroporto de Fuomicino, na Itália, onde me deparei com funcionários mal humorados e desatenciosos, no aeroporto de Sheremyetyevo fui muito bem tratado, a agente de fronteira me deus as boas vindas, fez questão de me cumprimentar. Fui recebido por minha amiga, búlgara, no saguão do aeroporto, que fez questão de me pagar por um jantar, coisa que eu jamais sequer sonharia acontecer no Brasil, uma garota me oferendo janta. A maioria das garotas brasileiras que conheci, a quem convidei com o intuito de conhecer, inventavam todo tipo de desculpas para evitar um simples encontro, a mais comum de todas era o "namorado imaginário". Saindo do aeroporto, ela me apresentou uma loja de comida, na qual trabalhavam funcionários de várias ex-repúblicas soviéticas e uma refugiada da guerra na Ucrânia, me receberam muito bem e até me convidaram para um aniversário muito animado. Conheci perto do metrô Planyernarya idosos muito simpáticos, um deles, um general cossaco, até me presenteou com um par de botas que uso orgulhosamente, para que eu não me resfriasse, mesmo eu dizendo que estava indo a uma loja comprar calçados de frio. Conheci pessoalmente jovens russos com quem me relacionava há anos pela internet, saí com garotas lindas, com as quais sequer poderia sonhar em sair no Brasil. Descobri então que o "babau Russo" só existia na cabeça de mentes retrógradas, preconceituosas e ignorantes do ocidente, na mente dos russófobos!

Vivendo na Rússia há mais de um ano na Rússia, eu descobri que o Ocidente mentiu para mim durante a vida inteira sobre quase tudo na Rússia, melhor seria dizer, sobre tudo na Rússia, exceto talvez, sobre os nomes próprios e sobre o fato de ser um país frio. Conheci as mais diversas cidades e pessoas e sem querer parecer pretensioso, tenho total autoridade para falar sobre o assunto Rússia com qualquer doutor no assunto apresentando os fatos. Alguém talvez irá dizer que "os russos pensam do mesmo jeito sobre o Ocidente", o que não é verdade, talvez por que na Rússia, ao contrário do Ocidente, e vamos falar de forma mais objetiva, ao contrário do Brasil, as pessoas não assistem tanta televisão e tem a capacidade de filtrar aquilo que sai na mídia. No ocidente predomina a política de noticiar apenas aquilo que é ruim sobre a Rússia. Se um brasileiro viesse à Rússia e estendessem um tapete para ele na Praça Vermelha e o vestissem com um pomposo uniforme de Marechal da União Soviética, isso jamais sairia na mídia ocidental, na mídia brasileira, pois só se pode falar negativamente da Rússia! É uma uma hipótese, mas já vi coisas muito interessantes que isso, afinal, que serventia teria um tapete vermelho na Praça Vermelha? Em vez disso, em Moscou, um amigo cedeu a sua cama e dormiu no chão, em pleno inverno russo, uma senhora que sequer me conhecia abriu a porta do prédio onde morava para que eu não aguardasse minha amiga de São Petersburgo no frio de -10 graus, a polícia da Rússia me orientou sobre como chegar a diferentes lugares quando o meu celular descarregou por causa do frio. Uma adolescente russa me presenteou com um lindo lenço de adornos típicos bordado por ela mesma, coisa que eu jamais poderia esperar por exemplo de uma adolescente brasileira. Muitos brasileiros são muito bem acolhidos e sucedidos na Rússia, formam famílias, são profissionais respeitados, mas isso nunca sai nos jornais ocidentais. Na Rússia jamais fui parado pela polícia por estar tirando fotos em um lugar turístico, como ocorreu comigo em Poços de Caldas-MG, em Mossoró-RN tive uma arma apontada para a minha cabeça simplesmente por estar sentado embaixo de uma árvore, todos sabem que no Brasil o negro é sempre suspeito até que ele mesmo prove o contrário, isso jamais aconteceu a mim na Rússia, logo por que deveríamos nutrir algum sentimento negativo em relação a um povo que nos acolhe tão bem, como talvez alguns irão sugerir?

Recentemente uma notícia difundida pelas organizações Globo, emissora que defendeu o golpe contra Dilma Rousseff e possui mais de 30% de seus capitais pertencentes aos americanos, nação especialista no assunto "genocídio", já que exterminou praticamente todos os habitantes nativos da América, noticiou que na Chechênia, república que integra a Federação Russa, estão sendo construídos "Campos de Concentração para homossexuais". Antes de falar de homossexuais, devo enfatizar que a Rússia não possui nenhum tipo de "campo de concentração" para quem quer que seja! A lei russa possui tratamento igual para todos, não importa se é preto ou branco, cristão, muçulmano, pagão, budista, judeu, hetero ou homossexual!

A jornalista Elisabete Pacheco noticia de forma completamente irresponsável, sem consultar qualquer diplomata da Federação Russa, boatos de que estaria havendo "sequestros", "desaparecimento", "torturas" e "mortes" sem apresentar qualquer prova! A ousadia dessa boateira (seria um desrespeito aos profissionais sérios chamá-la de jornalista) vai a tal ponto que ela afirma que "não se trata de ficção", e que seriam "relatos assustadores". De quem seriam esses relatos? A melhor forma de identificar um boato é que quase sempre seus autores são anônimos, seu teor é apócrifo. À boateira da Rede Globo, Elisabete Pacheco, se junta um homem que se apresenta como Guga Chacra, que faz coro às acusações novamente sem apresentar quaisquer indícios de uma acusação tão grave. Elisabete então novamente interrompe o jornalista para fazer comparações absurdas, recorrendo à famosa "falácia ad hitlerum". Isto é, sem ter noção da veracidade da notícia, ela já compara a Rússia à Alemanha nazista.

Deve ser enfatizado que a Globo não é a única a movimentar o assunto no Brasil, na internet o Avaaz engana pessoas incautas apresentando uma petição na qual é sugerido "fazer a Rússia passar vergonha", sempre com a mesma cantilena de "campos de concentração para homossexuais", mesmo chegando a comparar com a situação dos judeus, como se homossexuais fossem um grupo nacional, o que não são. 

A Rússia é um país democrático que permite que todos, independente de nacionalidade ou algum tipo de preferência se manifestem, inclusive a TV russa tem homossexuais, tendo inclusive homossexuais que se manifestam nesses programas sem serem presos por suas opiniões ou por serem homossexuais. Na Rússia não existe uma polícia que fiscaliza o que cada um faz dentro de seus quartos. Como bem colocou o politólogo russo Maxim Shevchenko, presidente de uma comissão de Direitos Humanos, homossexualismo nada tem a ver com uma questão de "direitos e liberdades individuais", mas sim com política! Sempre que uma pessoa, país ou organização recusa dinheiro para ativistas homossexuais ou não concorda com suas teorias extravagantes, logo é acusado de "homofobia", como se todos tivessem a obrigação de bater palmas para tais grupos. Quando a atriz e modelo brasileira Giselle Bündchen disse que não gostou de ter beijado outra mulher em um filme americano, ela foi acusada de ser "preconceituosa" e "homofóbica". Logo é normal que qualquer grupo com pretensões totalitárias acuse a Rússia de homofobia, "ou está conosco, ou está contra nós". Mas a realidade na Rússia não é preto e branco. A Rússia possui diversos programas de TV e cantores russos que exibem homossexuais. Frequentemente esses programas são alvos de crítica da sociedade russa e de ativistas sociais, porém isso é suficiente para destruir o mito de que "o homossexualismo é proibido na Rússia". Nas rádios da Rússia, inclusive, há músicas de Madonna, Lady Gaga e são reproduzidas músicas cujos clipes abertamente propagam o homossexualismo como um estilo de vida, por exemplo "Take me to the church", que já ouvi em vários restaurantes e mesmo em rádios. Muitos movimentos sociais pedem ao Ministério da Cultura que proíbam tal conteúdo, mas ele não proíbe. Ora, não é a Rússia "homofóbica"?! Se a Rússia fosse homofóbica como se diz no ocidente, eles com certeza seriam removidos de imediato!

A Rússia não é o Ocidente, para o qual "democracia é apenas quando você concorda com o que eu digo", na Rússia, assim como há pessoas que defendem o homossexualismo, também há pessoas que são contra o homossexualismo, e é importantíssimo frisar, que não são contra o indivíduo que o pratica em sua vida pessoal, mas sim contra o exibicionismo, o escândalo público! Na Rússia há bares para pessoas de orientação sexual não tradicional (adiante POST), porém sabemos que a maioria dos russos é contra essa orientação (mais de 90% segundo estudos), logo, se os russos são em sua esmagadora maioria contra essa tendência, seria lógico que se fossem "homofóbicos bárbaros" como o Ocidente tenta pintar, esses bares com certeza já teriam sido explodidos há muito tempo, porém, em que país um homem entrou armado disparando contra homossexuais? A Rússia? Não, os Estados Unidos, e curiosamente, a mídia ocidental não chamou a América de país de "homofóbicos assassinos de homossexuais", apesar de que um homossexual tem mais chance de ser fuzilado por um maníaco na "América democrática" do que na "Rússia homofóbica", não é uma grande ironia?

A Rússia possui leis que valem para todos, ninguém se esquiva da mão pesada da lei russa por causa de suas preferências sexuais, se um homem e uma mulher acabaram de ter sua noite de núpcias e sai anunciando para todos na rua sobre "o que fizeram", eles podem ser detidos pela polícia e multados pelo seu comportamento (multa administrativa). Com os homossexuais ocorre o mesmo, ora, se um homem sai na rua gritando sobre "como dormiu com a sua mulher" ele é multado, logo por que uma parada voltada exatamente para a promoção de um estilo de vida que faz parte da vida pessoal de cada um (vida pessoal, ou seja, da pessoa, e não da sociedade), por que este deveria ter algum tipo de isenção legal? A Rússia é um país com um lugar certo para tudo, por exemplo, nas escolas da Rússia, ao contrário do que ocorre no Brasil, é proibido namoro ou qualquer tipo de libidinagem ou fornicação como vi muitas vezes em escolas brasileiras entre jovens de 13 ou 14 anos, ao menos na minha época, entre rapazes e moças (não sei como é hoje), pois escola é lugar para estudar. Na Rússia há clubes dos mais diversos tipos, inclusive para homossexuais, e certamente ninguém vai lá para estudar ou organizar atos contra tais, visto que é o lugar deles. De um modo geral, os russos são bastante reservados quanto à sua vida pessoal, mesmo uma mulher quando namora um homem ou vice-versa não costuma, por exemplo, anunciar isso em redes sociais, como geralmente ocorre no Brasil. Mesmo pessoas casadas dificilmente tem fotos de casal no perfil, essa é uma diferença cultural marcante.

Quando falamos da Chechênia, do Cáucaso em geral, a questão é um pouco mais delicada, pois trata-se de uma cultura milenar, de guerreiros, que por muito tempo viveu isolada nas montanhas mais inóspitas. Muitos povos dessa região tinham conflitos com outros povos, e se viam comprimidos entre dois grandes impérios, o Império Otomano, turco, e o Império Russo. As tribos então, para não ficar isoladas, faziam a sua opção, ser parte do Império Otomano ou do poderoso Império Russo. Entretanto, para isso havia uma condição, este Império Russo deveria tolerar a cultura desses povos, seus líderes e representantes eram convidados para morar em São Petersburgo, a capital, seria como imaginar o rei Dom José I de Portugal convidando chefes de tribos indígenas para morar em Lisboa, e ao contrário do que ingleses e espanhóis faziam com os índios ou australoides, no Império Russo não havia "caça" aos nativos. Os ingleses, por exemplo, como nos descreve o biogeógrafo Jared Damond (The rise and fall of the third chimpanzee), reuniam-se com suas famílias, faziam uma cerimônia de chá, almoçavam, e depois partiam com seus criados e cães para caçar negros na Tasmania usando falconetes que atiravam pregos, esses negros tasmanianos, feridos, eram atirados do lugar hoje conhecido como "Victory Hill", uma "solução final" à moda inglesa. Os americanos não poupavam nem mesmo as tribos indígenas como a dos Cheyenne, que hasteavam em seu acampamento uma bandeira dos EUA, o que não poupou o 3º Regimento de Cavalaria de dizimar todos até o último homem. Por que será que quando um grande evento acontece nos Estados Unidos ou na Inglaterra todos esses ativistas ensandecidos pela ira não dão um único pio? Por que será quando um evento é realizado nos EUA ou no Reino Unido não são marcados protestos em frente à embaixada desses países? Voltando a falar da Chechênia, temos que lembrar que não é o único lugar no Cáucaso que não contempla a noção de "cultura homossexual", na Geórgia, país de maioria cristã do Cáucaso, aliado dos EUA, há muitos ativistas contra o exibicionismo homossexual, por que será que esses ativistas nunca saem na mídia ocidental apresentados como "homofóbicos intolerantes"? A resposta é fácil, por que são aliados dos Estados Unidos! Por que será que a Arábia Saudita, onde o Estado enforca homossexuais nunca sai na mídia como "intolerante e homofóbico"? Porque assim como Israel são aliados dos EUA. Onde estão os "protestos contra a homofobia" em frente a Embaixada da Arábia Saudita em Portugal, como fizeram com a Embaixada da Rússia?

Não é difícil encontrar na internet, em especial no Facebook, falas de ativistas não-tradicionais dizendo sobre "como gostariam de ver a Rússia sumir do mapa", sobre como gostariam que "fossem usadas armas nucleares contra a Rússia", sobre como gostariam de ver o extermínio do povo russo ou sobre como odeiam a Rússia! Na "melhor" das hipóteses, vemos pronunciamentos feitos no festival "Bok o bok" (Literalmente Lado a lado) pela Sra. Manny de Guerre, uma ativista não-tradicional radical, no qual em pleno território da Federação Russa, ela afirma que deseja ver pessoas que não concordam com o exibicionismo dos homossexuais punidos. Essa punição já acontece em lugar chamado Síria! Lá, em meados de 2013, foi "informado" sobre a prisão de supostos ativistas homossexuais que teriam sido presos pelo governo de Assad. A OTAN então tratou de armar até os dentes a oposição síria, constituindo o que hoje é chamado de "IGIL" e "DAESH", grupos terroristas proibidos no território da Federação da Rússia, que dentre outras práticas bárbaras, arrancam a cabeça ou o coração dos seus prisioneiros. Um ano depois foi provado que os perfis dos tais "ativistas homossexuais" não passavam de perfis falsos criados no Twitter e no Facebook. Ou seja, o que vemos no século XXI é uma nova tecnologia de fabricação de conflitos. Se no século XX falava-se que se tratava de uma "guerra da liberdade contra o totalitarismo" e Bush no início do século XXI falava em "exportação da liberdade e da democracia", hoje Obama e seus herdeiros ideológicos, que não são necessariamente herdeiros políticos, falam em "defesa dos direitos das pessoas de orientação não-tradicional", política inclusive reiterada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América. Ou seja, os EUA, mais uma vez, brincando de "polícia do mundo", agora advogam o direito de intervir nos assuntos internos de povos que desejem seguir em paz as suas tradições. E para conseguir os seus objetivos, os EUA contam com um exército ideológico de adolescentes ingênuos, juristas gananciosos e euroburocratas sentados em Bruxelas, ressoando aqui as palavras do historiador e professor doutor Andrey Fursov. 

Hoje vemos a mesma cantilena que levou à Guerra Civil na Síria se repetir contra a Rússia nos jornais ocidentais. Trata-se de uma acusação muito séria e onus probandi incubere acusatio. Onde estão esses "campos de concentração na Chechênia"? Qual o nome dos ativistas presos? Será que esses ativistas realmente existem? Se existem, por que esses ativistas foram presos? Seria muita ingenuidade acreditar que "estão presos por causa da forma como dormem". Se estão sendo torturados, como estão sendo? Estão sendo colocados na frente de belas policiais? Perdoem o sarcasmo perante o assunto, mas diante de tamanha palhaçada organizada por americanófilos barulhentos e russófobos, só mesmo entendo como piada! Uma mentira contada mil vezes será sempre uma mentira, não importa se ela foi contada pela Globo, pela BBC, CNN ou pela Rádio Svoboda, a mentira não é uma força, pois como já dizia o príncipe Alexander Nevsky, "a força está na verdade"!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Nosso evento no Canal Um da Rússia


Combate da Grande Guerra se repete em Novgorod

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РУССКАЯ ВЕРСИЯ

Grandes civilizações por vezes desapareceram do nosso mundo. Em nome de "uma só grande Roma", às vezes potências são capazes de apagar por completo vidas e povos inteiros da face da Terra. Isso até agora é desconhecido para os russos, mas muito bem conhecido pelos ancestrais dos brasileiros e de outros povos do continente americano, o extermínio. A cidade de Mossoró, no Brasil, na qual viveu um dos reconstrutores do evento "Galhardia esquecida" é um lugar onde a tribo dos tapuias foi completamente destruída pelos portugueses. Para a destruição dos povos das Américas, inclusive do Brasil, vieram pelo mar navios com cruzes nas velas, não negras, como a dos fascistas, mas vermelhas, de Malta. Mas a cruz dos colonizadores portugueses, que saquearam o Brasil até o úlitmo diamante não tem nenhuma relação com o cristianismo, mas somente com uma ideologia de saque, que sempre foi parte da política dos estados europeus contra as suas colônias no ultramar. Mas um país, também vítima de inúmeras cruzadas e ataques, não conheceu este destino. Contra eles marchou uma cruz de ferro negra, a cruz suástica, esse país atacado, que resistiu, é mais conhecido por 4 letras: URSS. 

Novgorod é uma grande cidade sobre a qual é preciso sempre lembrar! Contra Novgorod marchou uma Cruzada no século XIII, de católicos fanáticos, mas com uma cruz negra da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos. Contra esses cruzados lutou o príncipe cristão ortodoxo Aleksandr Nevsky, sua galhardia nos é lembrada pelo maior diretor de todos os tempos, Einsenstein, no filme "Aleksandr Nevsky", feito na era dourada da União Soviética, na época de Stalin. Esse filme foi profético, contando-nos sobre o que ocorreu na Rússia Novgorodense do século XIII, Einsenstein nos falou do que poderia acontecer na Rússia Soviética do século XX, a destruição e queima de cidades e vilas foi parte da vida de muitos em 1941-45. Mas o tempo passa e o sofrimento é esquecido, como o heroísmo daqueles que defenderam a Rússia até a última gota de sangue. Dizem que "tempos difíceis fazem homens fortes, e pacíficos homens fracos", verdade ou não, é um fato que muitos jovens se esquecem de quantas vítimas e sangue custa a sua paz, e o evento sobre a "Galhardia esquecida" lembra a todos o destino do 2º Exército de Choque, que lutou nos arredores da Grande Novgorod. Esquecer a própria história significa desaparecer enquanto povo. 

Desde a infância, em diferentes filmes americanos, mostraram-nos como o exército soviético, como o exército russo eram maus e desumanos. Todavia, quando ouvi pela primeira vez sobre o Coro do Exército Vermelho na televisão, foi curioso, um "exército que canta". Então, eu assisti pela primeira vez ao filme "A lista de Schindler", que representou o Exército Soviético como um exército libertador que libertou o campo de concentração de Auschwitz, na Alemanha. Eu entendi imediatamente que um exército que acaba com tal monstruosidade não pode ser mau. Como não respeitar um exército que libertou campos de concentração, a Polônia, Romênia, Tchecoeslováquia, Iugoslávia e a própria Alemanha?! Eu então passei a estudar o Exército Vermelho, e ainda aprendi russo pelo manual da Voenizdat, impresso em 1976. No manual eu não vi nenhuma ideologia agressiva, mas belos textos sobre a amizade dos povos, sobre universitários que cantavam canções nacionais, e  passei a escutar pela internet canções do exército soviético. Assim, 15 anos depois vim a São Petersburgo, onde conheci os reconstrutores do clube "Juventude Comunista" (Komsomol). Eram rapazes ímpares, que conheciam muito bem a história de seu país, de seu povo. 

A "Galhardia esquecida" foi a minha segunda reencenação, ainda no trem eu conheci os reencenadores, pessoas de diferentes idades e diferentes profissões. Uma delas, Anna, enfermeira, é a neta de uma enfermeira militar, que combateu na Grande Guerra Patriótica (como a IIGM é chamada na Rússia). Outra, Viktoriya, é a neta de um herói sobre o qual ela pouco sabia, mas soube dos detalhes com a ajuda de um reencenador. A família do reencenador Ivan vive em uma casa cuja família que lá vivia foi inteiramente destruída por um projétil de artilharia durante o Cerco de Leningrado. A história dessas pessoas impressiona, eles são gloriosos como os próprios acontecimentos e o país. Foi impressionante conhecer muitos uniformes e armas da Grande Guerra Patrióticas que eu até então só havia visto no cinema, como outros que eu sequer sabia que existiam, e é preciso lembrar sempre às novas gerações quem são os verdadeiros super-heróis, caso contrário esquecerão deles e adotarão pseudo-heróis Made in US. O que é reencenamento histórico? Um teatro? Um filme, talvez? Ela é que nós brasileiros podemos entender como um "futebol da história", um futebol no qual sabemos quem será o vencedor, ou seja, todos nós com o conhecimento e a lembrança da verdadeira história de um grande país!

- No trem


No trem os participantes pensavam e conversavam sobre o evento. Um dos participantes atuou no papel de um franquista espanhol e falou sobre a participação dos espanhóis ao lado dos alemães. Outros preparavam os seus uniformes. A RZD (obrigado a eles) nos levou gratuitamente até e de Novgorod. (Foto: Russificando)

- Cerimônia

Antes do início do evento houve uma cerimônia em honra aos heróis tombados da GGP. Tomaram parte dela um General do Exército Russo e um dos organizadores do evento, caracterizado como zampolit (o oficial político)!




- Preparação

Caminhava eu soldado,
Soa um som não plagiado,
Vi o sanfoneiro de repente,
Então vou dançar com a gente!
Conquanto nós jovens comunistas estávamos prontos, resolvemos observar a exposição na zona dos acontecimentos. Lá até achei tempo para dançar com as vovós do grupo Ivushki. Ouvi a sanfona e reagi de imediato!


Posto de bloqueio fascista (Foto: Valday)

A SS se prepara para a batalha. Foto: Yulia Vassilyeva
O Werhmacht se prepara para a batalha. Foto: S. Mikenin
Parece uma foto antiga, mas é uma reconstrução em 2017. Foto: Maks Makovetskiy
A Maxim está pronta? Foto: S. Mikenin
"Aqui começa o c* do mundo" A resistência ferrenha do 2º Exército de Choque foi um pesadelo para os alemães

Não se sabe quem pensou em minas terrestres perto do refeitório, talvez alguém queria guardar muita comida
- Ao combate!



Soldados marcham para a batalha em 2017. Foto: Maks Makov
Artilharia fascista abre fogo em 2017. Foto: Pavel Haritonov
A artilharia comunista responde








Fogo!
Perfurou!




...vivos e mortos






Quando nós chegamos!



- Refugiados




Um dos clubes que participa do evento faz o reencenamento dos refugiados de guerra

- Nossa vitória





Mãos pra cima! 

Gritei de imediato "Hande hoch!"
- Faces da reencenação

Foto: Yelyena Ignatyeva

Quando eu a vi, pensei de imediato que é preciso vesti-la como piloto algum dia, conquanto ela lembra tanto Lidya Litvyak, Herói da União Soviética, aviadora. Foto: Cristiano
Camarada oficial político: na TV russa ele convidou pessoalmente o presidente V. V. Putin para assistir ao evento



Efeitos especiais: Lenfilm

Nota do Russificando: Com essa qualidade fotográfica e do evento em si, a Rússia tem que ser o país a inventar a "máquina do tempo"!